Essa tal de consciência coletiva…

A partir do momento em que o modo de produção de mercadorias passou do doméstico para o fabril depois da Primeira Revolução Industrial na Inglaterra, o sistema Capitalista enfrentou a sua terceira etapa, denominada de Capitalismo Industrial. A situação de vida deplorável que os operários enfrentavam em sua jornada de aproximadamente 16 horas de trabalho sem quaisquer direitos trabalhistas levou o proletariado a invadir as fábricas e destruírem as máquinas que eram o motivo concreto da miséria e das mutilações, começa  então a ser formada uma consciência coletiva contra os detentores dos meios de produção e exploração coletiva.

Nelson Dacio Tomazi, em sua obra Iniciação à Sociologia fala sobre este período “em que a miséria e o desemprego andavam lado a lado com o grande progresso tecnológico e a elevação da produção industrial na Europa, ocasionando o fortalecimento de associações e organizações de trabalhadores, bem como a eclosão de greves e o aguçamento das lutas sócias.” A indignação operária que gerou essas revoltas possibilitou a organização do primeiro sindicato trabalhista nacional na segunda metade do séc. XVIII, assim podemos dizer que a união proveniente da exploração trabalhista passou a ter uma contrapartida.

Atualmente, os trabalhadores adquiriram, através de muita luta e pouco silêncio, vários dos direitos que aqueles operários do século XVIII tinham apenas como um sonho distante. A evolução do sistema capitalista foi acompanhada do aumento da exploração trabalhista e da tentativa de redução dos direitos dos assalariados. Para poder sair do desemprego, várias pessoas se submetem a trabalhos que se encontram à margem da lei ou não tão estáveis, os informais, os autônomos as terceirizações fraudulentas, sem contar com as cooperativas que na verdade são, em sua maioria, empresas que se aproveitaram dos ideais que estas apresentam e das vantagens garantidas em lei para tais e usurpam os direitos dos trabalhadores que são subordinados e não cooperados.

A questão mais perigosa da atualidade é a tão sonhada flexibilização da legislação trabalhista que é almejada pelos capitalistas. Isso porque, o que se quer com essa medida é, em suma, associar as garantias trabalhistas com o volátil mundo da economia capitalista. Uma vez que há um anseio por reduzir os trabalhadores na medida em que a produção e as vendas reduzam, sem ter nenhuma penalidade. O problema é que tais direitos trabalhistas que estão sendo ameaçados estão assegurados em nossa Carta Magna no seu artigo 7º, VI, XIII, XXXII. Todos os incisos aceitando modificação das garantias por meio de convenção ou acordo coletivo. Talvez aí esteja o problema, porque desta forma há uma probabilidade da massa de trabalhadores vendo a impossibilidade de uma mudança favorável no mercado de trabalho e com medo de uma piora, passe a votar na Convenção Coletiva a favor dos desejos dos capitalistas, destruindo assim tudo o que foi conquistado através de séculos de lutas e estudos aplicados. É difícil, porém, conter esta tendência uma vez que quem acaba por decidir direta ou indiretamente são os Capitais. Infelizmente, ou não, Marx tinha razão, “tudo o que é sólido desmancha-se no ar”. Resta saber se em face da desigualdade e da miséria que passou a invadir a classe dos trabalhadores ativos vai despertar a adormecida consciência coletiva a fim de buscar um lugar seguro em meio ao caos Capitalista.

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About Tica

Feminista e membra da União de Mulheres de São Paulo, onde é coordenadora adjunta do Curso de Promotoras Legais Populares, projeto voltado para a educação popular e feminista em direitos. É Viciada em Lego, apaixonada por ficção científica, apocalipse zumbi e possui sérios problemas em procrastinar vendo gif's e não lembrar o nome das pessoas. No mundo real é advogada empresarial e artesã

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