Guerra Mundial Z | Max Brooks

Se nós nos limitamos a imaginar um mundo onde os Zumbis pudessem ser reais, Brooks vai além. Depois de nos dar um Guia de Sobrevivência ao Apocalipse Zumbi e a nos mostrar Dados de Ataques Registrados que poderiam tirar os Z’s do campo da ficção, ele cria um mundo “pós”  Zumbis.

Tudo começa após a Primeira Guerra Mundial Z, onde a Comissão Pós-Guerra das Nações Unidas contrata um Pesquisador para fazer um consistente relatório dos resultados dessa catástrofe global. Seu trabalho se resumiu em uma série de relatos de pessoas que sobreviveram ao apocalipse Zumbi, pessoas que, sobretudo, sobreviveram umas das outras e até de si mesmas.

Porém, a Comissão eliminou quase toda a sua pesquisa do Relatório Final, deixando apenas alguns fatos e números suficientes para que as futuras gerações soubessem somente o necessário sobre “Os Anos Sombrios”.

Não satisfeito com o resultado do Relatório Final, o Pesquisador resolve escrever um livro mostrando para o Mundo o que realmente aconteceu, surge então Guerra Mundial Z!

A forma como Brooks nos apresenta o livro é muito bem elaborada porque apesar de serem relatos pessoais de alguns sobreviventes espalhados em cada canto do mundo, ele os organiza numa linha temporal que faz a nossa leitura fluir de uma forma tão natural que um relato parece completar o outro fazendo com que tenhamos uma visão global de como se deu a infestação em cada canto do mundo, e de como cada cultura reagiu diante dela.

Apesar de falar sobre os Z’s, o livro tem como seu principal foco o ser humano. Acho que o Kirkman, na introdução do vol. I da HQ “Os mortos vivos (edição nacional de The Walking Dead), consegue resumir perfeitamente o que estórias sobre Zumbis querem nos dizer:

[…] Para mim, os melhores filmes de zumbis não são aqueles festivais de sangue e violência com personagens estúpidas e piadas idiotas, Os bons filmes de zumbis nos mostram o quanto somos terríveis, nos fazem questionar a nossa posição na sociedade…e a posição da nossa sociedade no mundo[…]”

E é sobre isso que o livro, a meu ver, trata. Ele nos mostra até que ponto somos capazes de chegar, seja superando-nos, seja nos aproveitando da situação. Os instintos mais primitivos, o ego, a essência humana, tudo isso vem à tona diante desse estado de calamidade e chegamos ao ponto de questionar a nossa própria humanidade.

As reações são das mais diversas. Há quem se aproveite financeiramente do desespero coletivo e há quem, diante da situação, crie uma certa síndrome de Estocolmo tentando se identificar com os Z’s.

Guerra Mundial Z acaba deixando, de certa forma, o mundo em pé de igualdade. Porque, afinal, qual seria o armamento bélico utilizado para matar os mortos? Que exército teve preparação e treinamento para lidar com essa situação?

Isso sem contar que, diante da escassez de alimentos e sem o funcionamento da indústria ou a circulação de bens, voltaríamos a um estado primitivo. E o problema de se ver diante desse estado primitivo é saber como nós, filhos do consumismo, internet, individualismo e produtos industrializados, sobreviveríamos sem nenhum preparo e ainda tendo que lidar com um grau incomum de violência?

Não é só com a fome e as doenças que você deve se preocupar numa Guerra Mundial Z, e nem, eu arriscaria dizer, com os Z’s  exclusivamente. Numa Guerra como esta onde, literalmente, reina a Lei do “Mais Forte”, a sua maior preocupação será com os humanos.

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About Tica

Feminista e membra da União de Mulheres de São Paulo, onde é coordenadora adjunta do Curso de Promotoras Legais Populares, projeto voltado para a educação popular e feminista em direitos. É Viciada em Lego, apaixonada por ficção científica, apocalipse zumbi e possui sérios problemas em procrastinar vendo gif's e não lembrar o nome das pessoas. No mundo real é advogada empresarial e artesã

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