Sobre livros e e-books

CriticaConsciente_05

Eu gosto de livro. Livro mesmo: capa, folhas, cheiro, tato. Gosto de tudo o que engloba o livro, o que o caracteriza, e não só a sua essência, o seu conteúdo. Não discrimino nem o prólogo, nem o epílogo e fico apaixonada quando me vejo diante de um apêndice. Enfim, eu amo o livro pelo que ele é.

Acho até que de certa forma sou um tanto materialista porque gosto de ter. Às vezes não me contento somente em ler uma ótima obra, eu também quero possuí-la. Talvez somente para consultar quando for preciso; talvez para apenas olhar para ela, balançar a cabeça e rir de algo que ela me lembrou ou de me emocionar profundamente pela mesma razão. Não importa a finalidade em si, a questão é que livro é uma coisa que a minha alma necessita ter ali, materializado na minha frente e ao alcance das minhas mãos.

Por essas razões estritamente pessoais é que tenho uma forte rejeição por e-books. Claro que com o advento da tecnologia e a rápida modernização dos eletrônicos em geral, o surgimento dos chamados e-readers era totalmente previsível e até ansiado por grande parcela da população.

Devo confessar que acho algo bem conveniente porque é uma economia de espaço e papel. Além da praticidade, pois o peso de um livro como O Festim dos Corvos se equiparado a um Kindle/Kobo ou algo parecido é algo sem comparação. Há ainda que se levar em conta o baixo custo que temos para comprar um e-book no lugar de um livro convencional. Enfim, a tecnologia veio com tudo e suas propostas são MUITO tentadoras, mas ainda assim não me ganhou.

Acho que é porque quando se trata de livro sou conservadora, pior, sou daquelas que não dá o braço a torcer. Isso porque não consigo ver o livro só como um recipiente onde se guarda uma história, acho que o livro em si, é a história. Não dá para separar um do outro, é um conjunto, uma coisa só.

Para mim, estar com um livro é uma experiência única. Um misto de sensações que parece começar pelo tato que sente a textura da capa, que folheia, que abre aquele universo para nós, que nos une fisicamente àquele ser estranho que aos poucos consegue mudar nossa vida ou devastá-la; depois vem a visão que nos possibilita decodificar a mensagem do autor, é através dela que devoramos metaforicamente tudo o que o livro contém, e é por ela que caminhamos naquele universo desconhecido e até então inexplorado; o olfato, por sua vez, é aquele que nos denuncia quando discretamente levamos aquele livro ao nariz só para sentir o inebriante cheiro de livro novo, aquele cheiro de um mundo inteiro a ser descoberto, aquele cheiro de vida que só um livro de verdade pode ter. Lógico que os “hereges” dirão que conseguem ter as mesmas sensações ou ao menos algumas semelhantes com o e-reader, mas eu não consigo. Na verdade acho que nem quero conseguir, estou bem, obrigada.

E é por todos esses motivos que chego à conclusão de que todo o comodismo que um e-reader tem a me oferecer é muito pouco se comparado aos benefícios de ter um livro de verdade em mãos. Por isso prefiro carregar peso, ocupar espaço e até gastar um pouco mais.  Enfim, talvez eu seja a última romântica… 

[+] Dê mais que um presente, dê um livro.

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About Tica

Feminista e membra da União de Mulheres de São Paulo, onde é coordenadora adjunta do Curso de Promotoras Legais Populares, projeto voltado para a educação popular e feminista em direitos. É Viciada em Lego, apaixonada por ficção científica, apocalipse zumbi e possui sérios problemas em procrastinar vendo gif's e não lembrar o nome das pessoas. No mundo real é advogada empresarial e artesã

4 responses to “Sobre livros e e-books”

  1. Deh Capella (@dehcapella) says :

    Eu me rendi. Digo sem dor no coração que me rendi. A leveza, a praticidade, a possibilidade de realmente pegar o livro 5 das Crônicas de Gelo e Fogo e trazer pro trabalho, levar pra fila, pra fazer aquele kama sutra de leitor na cama, na poltrona, no sofá, com mais conforto. Pra ler comendo, por exemplo (passatempo dos mais amados, juntando duas coisas divinas), é ótimo.

    Mas a questão do livro-objeto não dá pra resolver fácil como essa do livro-conteúdo. Sou a que tem fetiche por estantes e prateleiras, sou a bibliotecária resistente com relação ao apelo afetivo do códex, das páginas, capas e lombadas, do cheiro de papel, da delícia de ir até a livraria e voltar com sacola (nunca mais esqueço duma Bienal do Livro, acho que foi de 2010: foram DOZE, entre livros-de-gente-grande e livros-de-criança).

    Então me rendi mas admito que continuo jogando, bem feliz, nos dois times.

    Ah, vc conhece já esse livrinho aqui? Achei sensacional e comprei pra mim mesma, mas não sei por que raios ainda não mostrei pro Alexandre, que é um menino de outra era mas vive na casa cheia de estantes 🙂 http://www.youtube.com/watch?v=YfN6F9QnkBc

    • Tica says :

      Ah, Deh. Eu te entendo, mas não consigo me render e confesso que tenho medo de gostar desse comodismo, viu? E eu leio em todo lugar também, no bus principalmente já que aqui em SP passamos quase todo o nosso tempo no trânsito! E não é fácil se equilibrar com um “tijolo” na mão. Você não imagina o que passei lendo os 3 primeiros livros de GoT!

      Mas como falei, sou materialista.Amo minha estante, amo as capas e o cheiro dos meus livros. Morro de ciúmes de emprestá-los e não me vejo sem eles.
      Sei lá, é uma relação afetiva muito forte e ir na livraria então? Um êxtase! Sempre que posso dou uma passadinha em uma, nem que seja só para passar vontade ( quem nunca escondeu no fundo da estante os livros que queria comprar, mas na hora não podia, que atire a primeira pedra!).

      Falando em bienal, fui na do ano passado e me acabei lá. Não comprei tanto como gostaria porque não tive condições (R$), mas amei. E já que citou livro de criança, o meu predileto é um do Dr. Seuss: “Como o Grich roubou o Natal”. Amo esse livro de paixão desde a minha adolescência e no Natal retrasado meu namorado me deu ele 🙂 Não sei se conhece, mas acho que é um livro que você iria gostar!

      Ah, amei o vídeo. Super adorável, vou procurar esse livro pra mim! :B

      Beijão!

  2. Barbara says :

    Nossa, no meio de tantos blogs de moda sem conteúdo nenhum, encontrei o seu e estou adorando. Ganhou uma leitora 🙂

    E eu também não me rendi, ainda, hahaha.
    Pegar o livro na mão, sentir o cheiro de livro novo (que me traz lembranças ótimas da infância), o barulho da folha quando viramos a página, é muito bom.

    • Tica says :

      Bárbara, obrigada pelo carinho e desculpe a demora na resposta. A coisas andram agitadas em SP nesses últimos dias! 😛

      Sobre o que citou das lembranças da infância, me sinto assim também. Tem livro que me deixa muito nostálgica, que me lambra fatos, pessoas. Ah, é gostoso demais ter um livro nas mãos!

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