Sobre preconceitos e privilégios

obras-de-tarsila-do-amaral-operarios

Em todos os lugares da sociedade estamos sujeit@s a todos os tipos de preconceitos e discriminações. Em casa, no trabalho, na rua, no ônibus, online ou não. Esse tipo de violência está ali nos esperando naquela esquina escura chamada vulnerabilidade, na qual em algum momento da vida sempre passamos. 

Às vezes somos fortes. Resistimos, rebatemos, nos posicionamos. Às vezes não, apenas recuamos.

Recuamos não porque não temos vontade de lutar, mas porque, talvez, ainda estejamos nos recuperando das feridas das lutas anteriores. Ainda estamos cicatrizando.

E são tantas lutas para se lutar. Tantos preconceitos velados em cima de mais preconceitos que simplesmente sufocamos. É como se uma mão invisível estivesse em torno do nosso pescoço nos estrangulando até o ar se esvair.

Ocorre que, na sociedade desigual na qual viviemos, até as “minorias” vulnerabilizadas são detentoras de privilégios que outras minorias não possuem e por sua vez, podem ser opressoras daquelas – o que soa tão irônico como verdadeiro.

Uma mulher branca,  cissexual e heterossexual, em seu discurso privilegiado, pode muito bem oprimir uma mulher negra, uma lésbica e uma transexual. Isto porque, é preciso ter ciência que a legitimidade de sua causa é vista dentro de sua própria realidade, ou seja, uma realidade privilegiada.

Mas o que seriam esses privilégios, afinal?

Bem, muitas mulheres, dentre elas vou incluir feministas, infelizmente, têm dificuldade em assumir e reconhecer seus privilégios e isso tem contribuído para deslegitimar a luta de outras companheiras.

Flávia Piovesan, em uma palesta, falou que no topo da pirâmide social está o homem branco e na sua base, a mulher negra – ainda que eu ache que seria a mulher trans*, mas tudo bem. Acho que traçar a pirâmide ajuda muito a ilustrarmos essa questão de privilégios:

Se você é uma mulher cis*, branca, hétero e de classe média (ainda que eu ache esse conceito atual de classe média questionável) você dificilmente será marginalizada ou estará sujeita a: TRANSFOBIA, LESBOFOBIA, RACISMO, DISCRIMINAÇÃO SOCIAL, ETC. Fica claro?

Porém, ter todas essas características que eu julgo “privilégios” não faz com que você não seja discriminada ou violentada. Eu sei disso. Só que voltar o seu discurso para a sua própria realidade é egoísta. Aliás, é mais que egoísta, é tornar a outra invisível propositalmente ou não.

Nu, de Tarsila do Amaral, 1923.

Enfim, este post não foi só um desabafo, um grito. Foi uma proposta de relexão: Por favor, reveja os seus privilégios.

[+] Blogueiras Negras

[+] Transfeminismo

Anúncios

About Tica

Feminista e membra da União de Mulheres de São Paulo, onde é coordenadora adjunta do Curso de Promotoras Legais Populares, projeto voltado para a educação popular e feminista em direitos. É Viciada em Lego, apaixonada por ficção científica, apocalipse zumbi e possui sérios problemas em procrastinar vendo gif's e não lembrar o nome das pessoas. No mundo real é advogada empresarial e artesã

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Ensaios de Gênero

Um espaço para se ensaiar política, educação, feminismo e coisas do gênero...

Feminismo Ráiot

música + feminismo + faça você mesma

Joanah Dark

Performance, Fotografia e Feminismo.

Café Feminista

Por Cely Couto

FeminismUrbana

Textos, artigos, imagens, quadrinhos, opiniões. A idéia é juntar quem está pensando as cidades na perspectiva feminista, no Brasil e na América Latina.

feminismosemdemagogiaOriginal

Blog da página Feminismo Sem Demagogia - Original

Alemão com Frau Santana

A Alemanha bem perto de você.

O Fim da Eternidade

(Isaac Asimov)

Colunas Tortas

mais que uma opinião

Marcha Mundial das Mulheres

Feminismo 2.0 até que todas sejamos livres!

Blogueiras Negras

"Quem não quer raciocinar é um fanático;quem não sabe raciocinar é um tolo; quem não ousa raciocinar é um escravo"

Quem o Machismo matou hoje?

No Brasil, quatro mulheres são assassinadas todos os dias vítimas da violência doméstica. Você sabe quem elas são?

%d blogueiros gostam disto: